Música do coração

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Música do coração
Música do coração

Costumamos ouvir e também abordar temas sobre a adoração neste novo tempo. E nós, evangélicos desde o início deste século, temos procurado razões e meios para definir adoração que prestamos a Deus por meio de encontros, congressos, simpósios, etc.

Será que temos encontrado fronteiras na nossa caminhada como adoradores? Ou temos sido as fronteiras que impedem a nós mesmos e as outras pessoas de reconhecer Deus como o verdadeiro sentido da adoração?

Deus procura adoradores, aqueles que o adorem em espírito e em verdade, e não um povo que se aproxima dEle e O honra só da boca para fora, enquanto seu coração e o seu pensamento estão distantes dele.

A primeira missão da Igreja é adorar a Deus e a segunda missão é proclamar o Evangelho, anunciando a todos os povos Jesus Cristo como único caminho que conduz a Deus, para a reconciliação do homem com ele, que é o foco da adoração.

Quando o verdadeiro foco da nossa adoração é esquecido surgem situações desgastantes e conflitos no meio da Igreja. De um lado, os da “nova geração” que, por estarem envolvidos em “novos conceitos” de adoração, muitas vezes, desprovidos de verdades bíblicas, levados por uma “onda atual”, mergulham de cabeça e olhos fechados em um novo sentimento de adoração, sem considerar uma história que fora construída para servir de base para nossa fé.

De outro lado, alguns crentes de “carteira assinada”, que se intitulam experientes e se fecham em um único momento de sua história como em um gueto, ficam confinados e estáticos às mudanças, criam resistência e, muitas vezes, ojeriza a um “novo canto” e às novas experiências com Cristo.

Experimentar o novo não quer dizer abandonar ou renegar as raízes. Não podemos desconsiderar a importância e as experiências individuais. Verificamos na história mudanças que influenciaram a vida da humanidade por meio da ciência, da comunicação, das artes em geral e de outros campos. A música, por exemplo, é uma arte que traz experiências à vida de cada indivíduo. Os cristãos, em todos os tempos na história, têm sido influenciados pela música.

Neste tempo não é diferente. A música de hoje deve sair do coração e falar ao coração. Ela deve ser uma música sentida e não desprovida de sentimentos. Lutero se referiu à música como um dom de Deus que, frequentemente, o despertava e movia a alegria da pregação e ocupava, depois da Teologia, o lugar mais elevado e de maior honra. Ele disse ainda: “Meu coração palpita e se emociona em resposta à música, que tem me refrescado e libertado de pragas malignas”.

Será que hinos de antes ou os atuais têm falado aos nossos corações? (“Mais perto quero estar”; “Eu te louvarei, te glorificarei…”). A música tem sido objetiva ou subjetiva? O que podemos aprender com elas, quais os benefícios da música para nós, os crentes da atualidade? Será que ela está associada a gostos humanos ou ao agrado e à vontade divina?

A forma pela qual usamos a música, como um meio de adoração a Deus, deve estar ligada ao verdadeiro foco da nossa adoração, e não limitada à nossa apreciação musical. Ela não deve ser vista como um motivo para separação, intrigas ou para conflitos de gerações no meio da Igreja. A música tem e sempre terá um papel fundamental no meio cristão. Ela é uma arma poderosa, quando bem usada e, aliada à Palavra, torna-se infalível contra o inimigo.

A adoração, quanto à sua forma e qualidade para este tempo, é uma adoração que usa de recursos avançados para o engrandecimento do Reino de Deus e, sobretudo, é uma adoração discernida pela fé, espiritualmente.

Devemos usar todos os recursos disponíveis e adequados para o louvor a Deus com qualidade e responsabilidade. Mas, qualquer recurso tornar-se-á em vão se não conseguirmos ter equilíbrio em nossa vida pessoal e interpessoal, ou seja, um equilíbrio de forma coletiva.

Deus se revela a cada um de forma individual, assim como a todo o seu povo de forma coletiva. Então, quando estamos como Igreja de Deus, Corpo de Cristo reunido, precisamos de equilíbrio e comunhão com os demais membros do corpo, respeitando as diferenças, desigualdades essas que nos unem, suportando-nos uns aos outros.

Deus é imutável. Ele é o Deus de ontem, hoje e eternamente. Assim como são as verdades da Sua Palavra.

Estamos na história e na construção da história como estrutura de uma pirâmide que serve de base para estruturas vindouras.

Devemos também dar continuidade de forma mais responsável, regar tudo o que foi bem plantado antes de nós; para que haja crescimento e fortalecimento, assim como Jesus fez com as leis, não as extinguindo, mas dando-lhes sentido por meio de Sua interpretação.

Não somos vitrines para consumo intelectual, mas devemos mostrar nesse tempo, a um mundo com ou sem fronteiras, a mensagem da cruz anunciando a todos os povos que Jesus Cristo venceu a morte na cruz do Calvário, sendo ele o único meio pelo qual podemos encontrar, verdadeiramente, um sentido para a adoração, dando-nos acesso a Deus para que em tempo e fora de tempo O adoremos em espírito e em verdade.

Ery Herdy Zanardi
(Extraído de O Jornal Batista)