Cantar é uma prática constante dos cristãos desde seus primórdios e a música, uma ferramenta importante e útil no culto cristão. Donald Hustad, em sua obra Jubilate! A Música na Igreja, define a música sacra como uma arte funcional. Hustad afirma que a música na Igreja não deve ser inserida no programa de culto como um “tapa buracos” ou simplesmente para entreter os fiéis. No culto, a música “serve aos propósitos de Deus e da Igreja, particularmente na expressão coletiva da adoração congregacional, sua comunhão e seu trabalho missionário”.
Hustad desenvolve que a música na Igreja executa diversas funções:
Proporcionar prazer – Por meio de uma bela execução e através de ideias fluentes, a música encanta e delicia a Congregação. Se esta função é realizada com sabedoria e equilíbrio, a congregação recebe a mensagem propagada pela letra da música de maneira mais profunda.
Expressar as emoções – Quando a música se ajusta bem ao texto, ela “dramatiza, explica, sublinha, ‘sopra vida’ nas palavras, resultando em mais significado do que as palavras isoladamente poderiam expressar”. Porém, emoção por emoção não se torna eficaz na transmissão da mensagem. Para que a adoração, a comunhão e a evangelização alcancem seus objetivos mais elevados, as canções precisamente devem ser escolhidas por razões mais significativas do que apenas a emoção que a música pode proporcionar.

Auxiliar a Congregação a portar-se nos diversos momentos do culto – A música, quando bem inserida nas diversas partes do culto, encoraja certo tipo de atividade nos fiéis. Por exemplo, um prelúdio no culto ajuda a congregação a se preparar para a adoração. Sons musicais podem ser utilizados para sinalizar que a congregação fique de pé, se assente ou ore.
Reforço da vida evangélica – A música sacra pode ser considerada como a declaração mais significativa dos valores da comunidade cristã – uma expressão coletiva de fé. A linguagem simbólica da música dá identidade, intensidade e significado à fé e sua expressão, confirmando suas crenças (teologia) e os alvos (adoração, comunhão e ministério), bem como a identidade (tradições) de cada cultura e subcultura em particular.
João Wilson Faustini, em seu livro Música e Adoração, afirma que a música na Igreja tem função de expressar e estimular a devoção quando cria uma atmosfera religiosa, de emotividades diferentes, que pode variar da introspecção à exaltação, e eleva os sentimentos e o espírito.
No livro Liturgia Cristã, Elildes Junio Macharete Fonseca destaca o poder de persuasão da música, “pois um sermão é, em comparação às letras de uma música, facilmente esquecido. (…) É uma arte que, utilizada de maneira apropriada, ajuda essencialmente na liturgia”. Reforçando esta última afirmação, Leila Gusmão dos Santos e Westh Ney Rodrigues Luz, em Culto Cristão – Contemplação e Comunhão, reiteram a função didática da música na Igreja. Elas afirmam que cantar nos proporciona ensinar, aprender e fixar princípios, doutrinas e verdades bíblicas.
Compreendemos, então, que a música é um recurso de grande relevância no ambiente do culto cristão por atingir as esferas emocional e racional do ser humano. Essa arte é capaz de envolvê-lo completamente em seu discurso, possibilitando, assim, melhor aproveitamento e absorção do conteúdo transmitido.
Mariane Godoi, professora de Música no Seminário Teológico Batista do Sul do Brasil
Extraído do site do Seminário Teológico Batista do Sul do Brasil (seminariodosul.com.br)